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  EDIÇÃO #53 - ANO 5 - DEZEMBRO/2009
GESTÃO
O que fazer com o data center?

Uma nova pesquisa descobriu que as organizações estão pisando no freio dos investimentos em data centers dentro de casa para, daqui para frente, aportar recursos em ambientes cliente-servidor hospedados e gerenciados por provedores de serviços, ou seja, nas “nuvens”.

A sondagem conduzida pela IDC, em nome da empresa de collocation e gerenciamento de TI, Interxion, entrevistou 401 empresas nos quatro maiores países europeus (Alemanha, Reino Unido, França e Holanda) e identificou que o mercado de collocation fechou 2008 com uma receita de 725 milhões de euros, mas deve encerrar 2013 movimentando 2,01 bilhões de euros, o equivalente a um crescimento de 23% ao ano.

De acordo com o estudo, quase 95% das empresas ainda operam data centers próprios. Cerca de 20% delas utilizam serviços de terceiros e 11% adotam apenas serviços de collocation. Na avaliação da IDC, as principais razões para a retração dos investimentos em data centers internos são a consolidação de TI e a combinação de utility com computação em nuvem ou virtualização de servidores.

Demanda

Porém, apesar desse movimento de “enxugamento” dos servidores, a consultoria avalia que as capacidades transferidas para prestadores de serviços aumentará. “Vemos o crescimento contínuo da procura por centros de dados, mas isso varia de empresa para empresa, dependendo da rede e da infraestrutura necessária”, diz Anthony Foy, porta-voz da Interxion.

A análise de Foy está em linha com o pensamento de Ricardo Adolpho, gerente de tecnologia do Instituto Embelleze. A rede de franquias voltada à formação profissional, prestação de serviços de salão de beleza e comercialização de produtos nesta área, está presente em 80% dos estados brasileiros, com mais de 225 franquias. A empresa possuía dois data centers no Rio de Janeiro, um na Barra da Tijuca e outro a 10 quilômetros de Nova Iguaçu, mas quando contratou Adolpho também selou a transferência gradativa desta infraestrutura para um operador de data center, a fim de reduzir custos e aumentar a capacidade de processamento.

“Assim que assumi a área de TI, o sistema de folha de pagamento precisava evoluir para uma versão mais recente. Fizemos uma experiência com a Alog, que teve a melhor proposta em termos de custo-benefício”, conta o gerente de tecnologia da Embelleze. Mais recentemente, o contrato com a Alog foi ampliado e os cerca de 30 a 35 servidores da empresa, na Barra da Tijuca, foram transferidos para o provedor de serviços, em um misto de collocation e hospedagem de aplicativos. “Grande parte das aplicações serão hospedadas na Alog e o legado seguirá o modelo de collocation”, explica Adolpho, ao dizer que o projeto deve se pagar em três anos.

Na distribuição das máquinas, também ficou definida a criação de um mini data center no centro de distribuição em Foz de Iguaçu, com monitoramento direto do próprio Instituto. Adolpho chega a dizer que a Alog previu o monitoramento em contrato, mas na sua visão os “data centers ainda estão a caminho de uma oferta segura”. “Vamos fazer monitoria paralela. Ao meu ver estas empresas ainda precisam passar mais credibilidade”, argumenta.

Diferente do Grupo Embelleze, que está fazendo o caminho da terceirização dos data centers, a Mclane do Brasil – focada na gestão e operação da cadeia de distribuição – mantém um data center próprio desde a sua instalação no mercado brasileiro, há 12 anos, e não pretende alterar a estratégia. “Em 2003, quando as máquinas já tinham um certo tempo de uso, foi feita uma análise para saber se valeria a pena manter o data center interno ou se terceirizávamos”, conta Luciano Marques, coordenador de suporte da McLane Brasil.

Comparativos

Segundo ele, o estudo considerou acima de tudo os gastos da empresa com redundância. “Para comparar igualmente a terceirização com o projeto interno era essencial também prevermos a contingência, ou seja, um outro data center”, diz. Porém, ao contabilizar o investimento em um segundo

data center, conclui que a economia viria dos links de comunicação, uma vez que no projeto do data center terceirizado precisaria de duas conexões.

“A performance da rede local ficou melhor e reduzimos a transmissão de dados entre os sites, o que nos permitiu abrir mão da velocidade máxima”, reforça o coordenador. Segundo ele, outro item importante na decisão de manter o data center em casa foi a redução de gastos com os servidores. “Seja em um terceiro ou internamente, precisaríamos de máquinas exclusivas para rodar o aplicativo e, em 2003, pouco se falava sobre virtualização”, explica.

Nessa cotação, a companhia conseguiu junto à Ação Informática – empresa especializada na distribuição de produtos TIC – bons preços para a aquisição dos servidores necessários para as aplicações de controle de armazenagem (warehouse management systems) e gestão de transporte (transportation management systems), além do ERP utilizado substancialmente para a emissão de notas fiscais.

“Compramos quatro máquinas, duas para o data center de Barueri e duas para as instalações na Rodovia Anhanguera”, relata o executivo, ao dizer que em caso de falha de um ambiente o segundo assume as atividades de processamento de forma transparente para o usuário. “Demos um salto de 817% em processamento. Com a compra dos servidores IBM ganhamos capacidade para suportar o crescimento da empresa por cinco anos”, ressalta.

Segundo Luciano Marques, o investimento foi amortizado em dois anos quando comparado à terceirização. E, hoje, de acordo ele, a manutenção do data center interno se mantém como opção financeiramente interessante, já que a empresa possui um time interno de desenvolvedores, dedicado a criar soluções leves.

Nos planos da Mclaine para 2010 está prevista ainda a aquisição de um cluster. Mas isso não quer dizer que a companhia seja avessa à terceirização, modelo que já suporta servidores Unix-AIX, os bancos de dados Oracle e o sistema de backup.



PERFIL DE CONSUMO

De acordo com o estudo da IDC, 95% das

empresas ainda operam data centers próprios,

mas este cenário está mudando:

• CERCA DE 20% DELAS UTILIZAM SERVIÇOS DE TERCEIROS

• 11% ADOTAM APENAS SERVIÇOS DE COLLOCATION





O AVANÇO DO CLOUD COMPUTING

Segundo o Gartner, empresa que atua no fornecimento de pesquisa e aconselhamento sobre tecnologia, as receitas globais de cloud computing crescerão 21,3% em 2009, atingindo US$ 56,3 bilhões. O estudo também aponta, até 2013, o faturamento deste mercado deve atingir US$ 150 bilhões.

“Parte do crescimento representa a transferência de serviços tradicionais de TI para a nova tecnologia, mas há espaço para o desenvolvimento de novos negócios e oportunidades valiosas”, aponta Ben Pring, vice-presidente de pesquisa do Gartner. A pesquisa mostra que, em 2011, 30% da receita do mercado de consultoria e integração de sistemas será fundamentada em cloud computing.

“Esta tecnologia viabiliza uma mudança na maneira como os serviços de TI são ofertados, passando a ser gratuitos até certo ponto, com as receitas originadas de publicidade. As ofertas patrocinadas são os maiores componentes no mercado de serviços de cloud computing e continuarão sendo até 2013”, afirma Pring.

De acordo com o estudo, as soluções baseadas nessa tecnologia, assim como as ofertas de software como serviço, já detêm um mercado com quase o dobro de recursos em comparação com as ofertas de infraestrutura. A pesquisa do Gartner prevê, para os próximos cinco anos, um crescimento no número de funcionalidades e novos produtos baseados nesta tecnologia. Estão entre os provedores de serviços de cloud computing no Brasil, a Locaweb, a Alog e a Tecla, uma das empresas do deste segundo grupo.
Jackeline Alfredo Antonio de Carvalho
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