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LOURIVAL VIEIRA, DA SISPRO
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Legado do SPED: melhoria dos processos de negócios
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012, 17h09



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Os investimentos realizados para o atendimento ao Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) devem retornar às empresas como resultado das melhorias dos processos de negócios e também pela eliminação dos erros contábeis e fiscais. Desde quando foi instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, o SPED vem recebendo críticas e elogios, mas uma coisa é certa: ele é uma realidade e se consolida como um dos mais avançados programas do mundo para a informatização e automação da relação entre o Fisco e os contribuintes.
Nestes 40 anos em que atuamos no mercado de desenvolvimento de soluções e serviços para a área administrativa e financeira, presenciamos uma evolução acentuada dos processos de gestão. Mas, nada se compara com a que foi impulsionada pelo SPED. Hoje, raramente encontramos alguma empresa onde parte da documentação seja baseada em papel, como era antes da escrituração digital, quando não havia muito controle sobre o que era declarado pelos contribuintes. Por isso, naquela época, as visitas da fiscalização, multas e, certamente, sonegação de impostos eram muito comuns.
Com a modernização dos processos e automação da entrega das informações contábeis e fiscais, as empresas ganharam em eficiência e aquelas que se acostumaram a burlar o Fisco foram obrigadas a migrar para um novo ambiente de gestão, o da eficiência e da legalidade fiscal.
Nestes cinco anos de SPED, os benefícios são inúmeros, a despeito dos alegados altos investimentos que muitas empresas tiveram que ter, muitas vezes, na verdade, para corrigir erros administrativos que impediam atender à nova realidade. As empresas que já possuíam processos de automação do controle contábil e fiscal foram as que menos tiveram problemas para se adequarem e foram as que menos tiveram gastos extras.
Se o SPED vem se aperfeiçoando, as empresas também. É verdade que ele ainda tem o que melhorar e quem o acompanhar será beneficiado. As empresas de todos os segmentos terão que acompanhar a evolução do SPED que é dividido em blocos, por assunto ou área de operação, para também melhorarem seus mecanismos de administração. Ao buscarem adequar-se às novas regras, as empresas estão fazendo um bem a si próprias e terão a possibilidade de otimizar suas operações para isso.
A sua consolidação também está no mercado de software, que deverá entregar sistemas de gestão fiscal ainda melhores. Mas, acreditamos que somente as empresas com tecnologias mais avançadas sobreviverão ao impacto do mercado.
Quanto ao mercado de software, acreditamos que somente será possível existir soluções criativas para a combinação “demanda versus atendimento” do SPED, uma vez que ainda seja possível notar nas empresas várias dificuldades para que sejam cumpridas todas as exigências da escrituração digital. Ao mesmo tempo em que buscam correr para atender ao que pede o Fisco, as empresas lutam para adequar seus processos à nova realidade. O mesmo acontece com os fornecedores de sistemas e serviços, que são pressionados a entregar “mais por menos”, ou seja, devem criar sistemas cada vez mais eficientes, avançados e atualizados, mas, ao mesmo tempo, sofrem com a pressão do mercado por preços menores em seus produtos e serviços. E é por isso que afirmamos que o mercado passará por uma consolidação, se não por completo, mas bem avançada.
Neste cinco anos de SPED também notamos outros aspectos relevantes . Desde o seu início, o programa público de escrituração digital pegou muitas empresas – usuários e fornecedores – despreparadas para atender à nova realidade. Somente as maiores empresas possuíam condições de superar as dificuldades impostas porque já estavam informatizadas e muito bem atendidas por aplicações de softwares especialistas de ponta. Do lado dos fornecedores, somente os desenvolvedores de sistemas com foco na gestão fiscal conseguiram apresentar as atualizações e adequações compatíveis com o novo mercado.
A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), que deu início a este processo de escrituração digital, e que teve sua adoção iniciada em 2005, abriu uma estrada enorme para o surgimento de pequenas empresas de software para atender ao mercado, que precisou urgentemente emitir notas fiscais eletrônicas, mas não recebia suporte imediato de seus fornecedores naquele momento.

Lourival Vieira, diretor de Marketing da Sispro – Serviços e Tecnologia para Administração e Finanças.

Da Redação
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