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TI INSIDE
   pesquisa avançada
 
  EDIÇÃO #75 - ANO 7 - DEZEMBRO/2010
INFRAESTRUTURA
Armazenar é preciso

O volume de dados está mais do que dobrando a cada dois anos e deve atingir 1,8 zettabyte (1,8 trilhão de gigabytes) em 2011, superando a Lei de Moore, que prevê que o poder de processamento dos computadores dobra a cada 24 meses. A aceleração do ritmo de crescimento das informações no mundo foi apontada pelo estudo Universo Digital, “Extraindo valor do caos,“ elaborado pela IDC, a pedido da EMC Corporation.
Apresentada em meados do ano, a pesquisa mostra que até 2020, os departamentos de TI das companhias vão se deparar com um número de servidores 10 vezes maior e com uma quantidade de informações que irá se multiplicar por 50. Além disso, o número de arquivos ou containers que encapsulam as informações será 75 vezes maior, sob a forma de sistemas embarcados, tais como sensores em roupas, pontes ou dispositivos médicos.
As previsões traçam um cenário de alta preocupação e investimento corporativo em sistemas de armazenamento de informações ou storage. Particularmente no Brasil, o segundo trimestre de 2011 foi bastante aquecido para o mercado de storage externo, e a mesma IDC afirma que entre os meses de abril e junho de 2011, os equipamentos dedicados ao armazenamento cresceram 25% em valor e 91% em volume, se comparados ao mesmo período de 2010.
Os principais motivos do forte crescimento estão relacionados à compra de equipamentos pelo setor financeiro, para a conexão em mainfraimes. De acordo com a IDC, após um primeiro trimestre de poucos projetos, esse segmento voltou a investir. “A demanda por armazenamento de dados para mainfraimes vem crescendo no Brasil, e um reflexo disso é a quantidade de investimentos que os bancos realizam para atender às regras de compliance e o aumento orgânico da necessidade de armazenamento”, diz Alexandre Vargas, analista de mercado da IDC Brasil.
A renovação e a compra de equipamentos pelo setor financeiro acontecem principalmente no segundo semestre, mas este ano o cenário foi diferente. “O setor antecipou as negociações por conta da alta demanda por armazenamento para algumas aplicações, inclusive aquelas para dispositivos móveis”, explica o especialista. Segundo ele, essa dinâmica diferencia o Brasil dos demais países, já que este tipo de equipamento apresenta uma tendência de queda mundial nos próximos trimestres.
Outro setor que vai estimular as vendas de storage é o governo, que não investiu em storage no primeiro semestre, segundo a IDC, e portanto tendia a desaguar os aportes no segundo período do ano. “Grandes empresas estão renovando seu parque tecnológico e buscando maior eficiência, o que impactará no consumo de equipamentos de maior performance e que permitam melhor gerenciamento de recursos”, diz Vargas.
Marcio Sanchiro, gerente de práticas da divisão de storage da EMC, classifica o setor governo como um dos maiores geradores de dados e entre os maiores investidores em sistemas de storage. Outros setores com igual perfil, segundo a IDC, são finanças, telecomunicações e serviços. Sanchiro justifica sua convicção dizendo que, recentemente, participou de uma licitação na região nordeste do País, na qual pedia-se um sistema de storage de 1,5 petabyte. “Há vários outros projetos em andamento tanto na administração direta como em empresas de processamento de dados dos vários estados”, cita.

Alerta
No segmento de armazenamento externo de dados, a previsão de crescimento este ano é de aproximadamente 10%. O impulso maior deve partir das aquisições feitas por empresas de pequeno e médio portes SMB (veja mais na reoportagem “A solução está na nuvem), seguidas da ampliação da capacidade de armazenamento dos segmentos financeiros e de telecomunicações e dos megaeventos esportivos como Copa do Mundo e Olimpíadas, que irão beneficiar diversos setores da economia.
Reconhecendo a necessidade e importância dos novos projetos, o Gartner alerta os usuários sobre os critérios para a compra de sistemas de armazenamento, indicando que não apenas o preço de aquisição das soluções deve ser considerado mas, e principalmente, o custo de manutenção dos ambientes.
Uma tese com a qual Sanchiro, da EMC, se solidariza. “Muitas vezes, o pessoal pode fazer um custo baixo de entrada e depois exigir um custo alto de upgrade”, diz ele ao comentar uma possível prática de mercado. “Porém”, completa, “os próprios clientes hoje têm se defendido disso, fazendo um pré-contrato que aponte o preço inicial e a indicação dos custos de upgrade para uma quantidade específica de capacidade de armazernamento”.
Estudo feito pelo Gartner sobre a estrutura de data center e as tendências de investimentos identificou que os três principais desafios das empresas nesta área são o crescimento de dados; seguido de desempenho e escalabilidade do sistema; e o congestionamento da rede e arquitetura de conectividade.
Para compensar possíveis problemas com o crescimento de dados, 62% dos entrevistados declararam que planejam investir em arquivamento ou aposentadoria dos dados até o final de 2011. Os entrevistados também indicaram planos para implementar projetos de consolidação de armazenamento, ferramentas de gerenciamento de armazenamento e medidas de segurança adicionais para compensar os problemas ocasionados
pelo crescimento substancial do volume de dados.

Nova ordem
Sanchiro, da EMC, afirma que todos os projetos têm a atual preocupação de aumentar a capacidade de armazenamento sem ocupar demasiadamente o espaço físico dos data centers. Segundo ele, os sistemas não podem gerar custos absurdos, devem contemplar sistemas com longa vida útil e sem grandes custos de manutenção.
Uma exigência que mudou o comportamento dos fabricantes, entre eles a HP, que trouxe, este ano, os sistemas 3PAR – herança da empresa de mesmo nome adquirida por US$ 2,4 bilhões – para fazer frente à concorrência em termos de preço/performance. “Desde que a HP adquiriu a 3PAR, há um ano, temos investido em oferecer armazenamento ágil e eficiente para ambientes de TI como um serviço”, disse David Scott, vice-presidente sênior e gerente geral de Storage da HP, ao anunciar os recordes alcançados pelos sistemas 3PAR.
Carlos Toledo, diretor de vendas da unidade de storage da HP Brasil, lança inclusive um desafio aos usuários e à indústria com operação local: “temos campanha válida no Brasil para estimular a migração de qualquer equipamento para um 3PAR reduzindo 50% a utilização do espaço em disco, ou seja, se o cliente tem 100 terabytes de dados hoje vai migrar utilizando 50 terabytes e, se o cliente não alcançar o desempenho, a HP coloca a diferença em hardware e em serviço”, descreve.
Como vantagens de adesão à proposta da HP, ele indica primeiro a aquisição de uma nova tecnologia, depois economia de espaço no data center, em terceiro a economia na aquisição e como quarto ponto o custo do upgrade, fator que não se consegue medir no curto prazo, mas que a HP garante em contrato. “Cada vez que o cliente precisar adquirir 100 TB do concorrente poderá fazer um paralelo com 50 TB 3PAR”, provoca.
O HP 3PAR Utility Storage é parte da oferta de infraestrutura convergente da HP, que constitui um elemento central de uma Instant-On Enterprise. No Brasil, a Alog Data Centers anunciou recentemente o investimento de cerca de US$ 1 milhão na aquisição do sistema de armazenamento para a oferta de serviços de replicação de dados a usuários 3PAR. O serviço já está disponível e faz parte das ofertas de Continuidade de Negócios, com foco em ambientes complexos de TI com uma ou mais unidades de storage.

Em camadas
Como forma de reduzir o custo de aquisição e de manutenção para o usuário, o mercado de storage vem trabalhando com a proposta de “tierização” ou armazenamento em camadas, de forma a priorizar informações mais críticas e emergentes e ter em sistemas mais econômicos os dados menos relevantes para a corporação, mas que não podem ser descartados. Andre Vilela, diretor de produtos e soluções para a América Latina da HDS, explica que a proposta consiste em classificar a informação pelo seu grau de importância no momento da operação.
Nesse modelo, os dados transacionais são alocados em sistemas de alta performance, logo mais caros de comprar e se manter, e podem migrar para sistemas menos complexos a medida em que perder importância dentro do ambiente. “Colocamos inteligência para garantir que a aplicação ou o negócio da empresa não percebam a movimentação dos dados e mantendo a velocidade de acesso”, informa Vilela. “Uma forma de reduzir custos de storage é entender a informação e dar a ela tratamento automático sem envolver pessoas, um componente crítico dos custos, e permitir o uso da informação sem alterar o desempenho do ambiente”, completa.
Outro componente do custo, o espaço ocupado pelo storage - que fica na sala cofre do data center para proteger a informação – é o consumo de energia, algo que a “tirerização” permite reduzir ao mesclar sistemas com diferentes perfis. “Parte da nossa cultura, por conta da origem japonesa, é sermos altamente eficientes do ponto de vista energético”, pondera Vilela, ao citar que a companhia analisa 34 componentes significativos na composição do custo total de propriedade de armazenamento e dizer que um dos ícones no consumo de storage do País é a Petrobras, companhia que considera em seus processos de compra o consumo de energia e ocupação
do espaço físico.

A SOLUÇÃO ESTÁ NA NUVEM
Um estudo do Aberdeen Group demonstra que o mercado se contradiz: as pequenas empresas são as que mais precisam usar a nuvem para armazenar informações, enquanto as empresas que dominam o mercado são as que melhor sabem usar os benefícios dos recursos de cloud para diminuir o consumo de energia e gastos com TI.
As companhias com faturamento anual abaixo de US$ 50 milhões, consideradas pequenas na pesquisa, são as que mais enfrentam problemas que tornam o uso da nuvem fundamental. O levantamento indica que 75% delas sofrem com problemas de manutenção, sendo esse o principal motivo para migrar os dados. As grandes empresas - as com faturamento superior a US$ 1 bilhão – que no geral têm vários data centers, podem acessar os dados mesmo enquanto parte deles está em manutenção.
A pesquisa também mostra que, pela maior necessidade de usar a nuvem, as pequenas empresas foram as primeiras a migrar os dados. Das entrevistadas, 26% das pequenas companhias já trabalham com nuvem há pelo menos dois anos e 45% entre 1 e 2 anos. Ao todo, 80% das empresas ou já têm projetos envolvendo a nuvem ou pretendem começar a usar no próximo ano.
O estudo indica que em média, 66% das pequenas empresas afirmam que a manutenção de servidores e possível perda de dados influencia na hora de decidir usar a cloud, enquanto o aumento com gastos de infraestrutura com TI motiva 49% das empresas a usar a nuvem.
Já entre as maiores empresas, é o custo de infraestrutura de TI que as faz usar nuvem.
Para elas e até pela complexidade de controlar dados
de todos os funcionários, a cloud é uma oportunidade para cortar gastos.
Um dos entrevistados pela Aberdeen contou que começou a mudar os arquivos para uma nuvem pública cerca de quatro anos atrás. “Começamos a adicionar novos usuários e capacidade para um datacenter já sobrecarregado. Inicialmente tivemos dúvida sobre deixar dados fora do nosso controle, então começamos com pouco. Com o tempo, nossa confiança aumentou até chegar no nível atual”, explicou. Essa empresa tem, atualmente, 40% dos seus dados em nuvem pública.
O grande benefício foi conseguir diminuir a quantidade de dispositivos de armazenamento nos datacenters e liberar alguns recursos de TI para funções de gerenciamento de dados para gastar mais tempo em novos projetos e iniciativas.
A sondagem, que avaliou quanto das informações das empresas devem ser colocadas em uma nuvem pública, mostrou que, atualmente, 44% dos dados das principais empresas do mercado estão na nuvem, e que, ao fim dos atuais projetos da área de TI, essas companhias terão 67% de seus dados armazenados na nuvem.
A média geral das empresas mostra que, atualmente, elas têm 27% dos dados na nuvem e planejam colocar até 52% no futuro. A diferença reflete em vantagens para as empresas mais conceituadas, principalmente em redução de gastos operacionais, além de outros benefícios financeiros. Essas empresas reduziram dispositivos de armazenamento e gastos com TI.
A quantidade de dados que as empresas precisam guardar cresce cerca de 32% a cada ano, o que se torna um desafio para os gerentes de TI, pois o orçamento da área não aumenta nesta proporção. Alternativas para ampliar a capacidade de armazenamento precisam ser estudadas, e as nuvens públicas aparecem como uma grande opção.
O Aberdeen Group consultou 184 gerentes de TI para falar sobre as práticas das suas empresas em relação à utilização da nuvem.

Jackeline Alfredo Antonio de Carvalho
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