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Telebrás ainda depende de acordo com as elétricas para começar a montar rede
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011, 18h37



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O início da operação efetiva da Telebrás na oferta de atacado de links para conexão à Internet ainda depende da conclusão das negociações com as elétricas para a cessão das redes de fibras que este setor possui. Após um encontro com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, nesta quarta-feira, 12, o presidente da Telebrás se mostrou otimista com relação à agenda de atuação da empresa em 2011 ao dizer que espera consolidar os acordos com as elétricas e com a Petrobras ainda neste mês.

Rogério Santanna explicou que, sem os contratos de cessão das redes de fibra óptica do setor elétrico, a Telebrás não tem como emitir suas primeiras ordens de serviços para a entrega e instalação dos equipamentos comprados pela estatal nos leilões realizados no fim do ano passado. No momento, a negociação envolve o custo do aluguel das redes à Telebrás. Ainda não há um valor estimado dessa remuneração que será dada às elétricas, mas a diretriz geral dos contratos já está fechada.

A Telebrás deverá pagar um "aluguel" para as empresas do setor elétrico - Furnas, Chesf, Eletrobrás, Eletronorte e Petrobras - para usar as redes de fibras apagadas das estatais. Além da negociação com as grandes estatais de transmissão, o governo está inclinado em aprofundar as conversas para adesão das distribuidoras de energia elétrica no Plano Nacional de Banda Larga.

Caso a caso

Muitas distribuidoras de energia possuem hoje redes que poderiam ser utilizadas também para a prestação de serviços de telecomunicações. O mesmo acontece com alguns governos locais, que criaram suas próprias empresas de processamento de dados. Esses dois universos têm chamado a atenção da equipe do Ministério das Comunicações, na medida em que pode gerar boas parcerias para a Telebrás.

Dois caminhos de articulação são possíveis no momento. Um deles é fechar acordos locais de cessão dessas redes regionais à Telebrás, dando maior capilaridade à atuação da estatal revitalizada. Outra opção é fechar parcerias com as prefeituras e distribuidoras de energia elétrica, que podem até atuar como prestadoras do serviço de banda larga ao consumidor final. "Nenhuma dessas opções já foi discutida, mas também nenhuma foi eliminada preliminarmente. É preciso olhar as peculiaridades de cada caso", afirmou Santanna, citando dois estados que podem ser alvo de conversas no futuro. Os estados são o Ceará, que hoje dispõe de uma empresa de processamento de dados própria; e o Paraná, onde o destaque é a entrada da distribuidora Copel no mercado de telecomunicações com um projeto-piloto nos moldes do PNBL para levar conexão de banda larga a baixo custo para a população.

Santanna disse que estes aspectos ainda serão analisados com mais profundidade no futuro, mas destacou o interesse do ministro Paulo Bernardo em investir em um projeto articulado em vários níveis. "O ministro enfatizou que todas essas iniciativas sejam articuladas e que o ministério e a Telebrás estejam muito juntos para potencializar esses instrumentos que podem ser utilizados no plano", afirmou o presidente da estatal.

Custo da rede

Apesar dos apelos feitos ontem pelos provedores de Internet em encontro com o ministro Paulo Bernardo, a Telebrás não parece achar viável uma redução do preço do link no atacado. Os provedores disseram ao ministro que, em alguns lugares, conseguem comprar um link de 1 mega a R$ 180, preço abaixo dos R$ 230 fixados pela Telebrás para acesso à futura rede da estatal. O assunto apareceu na reunião com Santanna, mas o ministro não teria pedido nenhuma redução de forma direta.

"O ministro brincou comigo, dizendo que o nosso preço está caro. Mas eu mostrei dados dos 252 provedores que já confirmaram interesse em participar do PNBL de que apenas os grandes conseguem um preço de R$ 180 pelo link", comentou o presidente da Telebrás.

Santanna explicou que nada impede que o valor do link seja reduzido, mas que isso significará imediatamente que a empresa demorará mais tempo para equilibrar suas contas. "Eu disse ao ministro que o ponto de retorno da empresa, se a gente baixar (o preço), vai ficar ainda mais longe." Com relação à possibilidade de aumentar o número de clientes que poderão utilizar cada porta de conexão, também levantada pelos provedores, Santanna disse que a hipótese sequer foi cogitada pelo ministro. "Temos nos focado na qualidade do serviço. Se amplio esse número a qualidade cai e, no fim, teremos os mesmas crises que existem hoje", argumentou. O parâmetro que a Telebrás usará é de 10 usuários por cada mega.
Mariana Mazza
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