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Gartner: Brasil pode se tornar polo de cloud computing
terça-feira, 13 de abril de 2010, 18h03

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O bom momento da economia, o nível de qualificação e o baixo custo da mão de obra devem atrair fornecedores de serviços de cloud computing para o Brasil e transformá-lo num polo regional e até mesmo mundial. A avaliação é do vice-presidente administrativo do Gartner, Daryl Plummer, ao dizer que o desempenho do país durante a crise financeira mundial e a maneira como emergiu desse cenário podem credenciá-lo a ser o destino dos investimentos dos provedores mundiais de serviços de computação em nuvem.

De acordo com o analista, a estabilidade da economia brasileira, que, ao seu ver, se recuperou da crise mais rapidamente que os Estados Unidos e a Europa, deve despertar o interesse na oferta de serviços em nuvem específicos. Além disso, ele observa que é um país com mão de obra emergente. "Temos verificado um interesse crescente por cloud computing na região. Se você é um provedor de TI, o Brasil é bastante atrativo e poderá vir a se posicionar como um ponto de entrega de recursos computacionais", avalia Plummer.

Não é à toa, segundo ele, que gigantes desse setor, como a Salesforce, Amazon e Google, têm olhado com atenção para o país como próximo destino de seus data centers. Essas companhias, segundo o analista, já têm suas infraestruturas na América do Norte, Europa e Ásia, e o mais provável é que agora direcionem seus investimentos para a América do Sul, o que certamente incluirá o Brasil. Na opinião de Plummer, as oportunidades não devem se limitar aos provedores estrangeiros, mas também é um bom momento para empresas nacionais que queiram explorar esse mercado.

Ao ser questionado se não haveria uma preferência das companhias americanas e européias pela contratação de provedores de serviços de TI indianos, Plummer admite que essa ainda é a realidade, mas prevê que isso não deve perdurar por muito tempo. "As empresas podem não querer ter seus dados ou serviços em outros países. Além disso, a Índia está em posição de declínio no mercado, em razão do aumento dos custos da mão de obra", observa ele.

Plummer que participa da 9ª Conferência Anual de Tecnologias Empresariais do Gartner, que acontece até esta quarta-feira, 14, em São Paulo, chamou a atenção para alguns mitos que ainda cercam o cloud computing. Um deles é que as empresas precisam parar de pensar em alinhar a tecnologia aos negócios, já que a computação em nuvem traz mudanças culturais significativas para o mundo da tecnologia da informação, mais especificamente no que diz respeito à ligação entre os recursos tecnológicos (equipamentos, softwares etc.) com o negócio da empresa. "Elas devem concentrar o foco nos negócios e alinhar suas demandas ao mercado. Com o advento da computação em nuvem, as companhias devem contratar serviços, e não tecnologia", ressalta. Plummer também alerta para o mito de que "tudo deve estar na nuvem" e diz que o mercado ainda não está pronto para isso. "Teremos modelos híbridos pelos próximos dez anos", finaliza.
Erivelto Tadeu
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