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  EDIÇÃO #74 - ANO 7 - NOVEMBRO/2011
INTERNET
O modelo Google shopping

Com 4 anos de experiência no mundo, o canal Google Shopping aportou no Brasil em outubro. A modalidade, que permite a busca e comparação de produtos do comércio eletrônico e é utilizada por 200 mil sites de e-commerce globais, já tem adesões locais como o Grupo Pão de Açúcar e a Casas Bahia – ambas pertencentes ao Grupo Nova Pontocom – e o Carrefour, entre outros varejistas.
“O retorno monetário (para o Google) é obtido por meio de anúncios veiculados nas páginas Google Shopping”, explica Lucia Tahara Le Menn, gerente de parcerias estratégicas para varejo do Google, ao falar do modelo de negócios. Para os varejistas e empresas que praticam o e-commerce, o novo canal serve para estreitar a relação com os consumidores que utilizam o mecanismo de busca para consultar informações sobre produtos. Entenda também o modelo do Yahoo no Box: Outra experiência.
O cadastro no GS (Google Shopping) é gratuito e a única restrição é para os sites de compras coletivas, já que estes – como situa Lucia – não possuem “portifólio próprio” de produtos. E o momento do lançamento do serviço é oportuno, às vésperas do Natal. “Apostamos muito nessa plataforma, que é um canal importante para que o consumidor possa encontrar os produtos que deseja com informações precisas, atualizadas com a qualidade e segurança de entrega dos nossos três sites”, comentou Vicente Rezende, diretor de marketing da Nova Pontocom.
Veja a seguir a entrevista com Lucia Tahara Le Menn sobre o modelo do GS, sua estratégia para o mercado local, seu funcionamento na prática e qual o papel que a ferramenta pode exercer no mercado de e-commerce brasileiro.
TI Inside: Como o modelo de operação do Google Shopping foi aprimorado no mundo até chegar ao Brasil?
Lucia Tahara Le Menn: O Google Shopping nasceu da nossa missão de organizar as informações e torná-las globalmente disponíveis. Como a busca de produtos representa uma categoria importante para o internauta, achamos importante lançar um motor vertical dedicado. O Google Shopping começou em 2002, quando lançamos o Froogle – antigo nome do Google Shopping – nos Estados Unidos. E em 2007, ele se tornou Google Shopping. Na sequência lançamos no Reino Unido e Alemanha. Nossa estratégia de internacionalização se acelerou a partir de 2010. Desde então lançamos o produto em diversos países, como França, Japão, Espanha, Itália, Holanda e Austrália, e desde o mês passado no Brasil e Suíça.
TI Inside: A parceria das redes locais de varejo – Carrefour, Casas Bahia etc – com o Google Shopping funciona dentro de qual modelo?
Lucia Tahara Le Menn: Os varejistas interessados em expor seu portifólio de produtos no Google Shopping acessam o Google Merchant. Nele, é possível cadastrar os produtos, com informações como preço, imagens, reviews de usuários, condições de pagamento etc.

TI Inside: O retorno monetário para o Google é de acordo com os resultados de vendas ou de prospects ou por meio dos anúncios associados às páginas de busca?
Lucia Tahara Le Menn: O retorno monetário é obtido por meio de anúncios veiculados nas páginas Google Shopping.

TI Inside: Existe uma limitação para os parceiros presentes no Google Shopping, pequenos sites de e-commerce podem participar? Como será feito o filtro dos parceiros?
Lucia Tahara Le Menn: Não, o Google Shopping é uma funcionalidade que opera nas mesmas condições da busca orgânica, ou seja, se baseia na relevância dos termos procurados, independente do tamanho da empresa.
TI Inside: Sites de compras coletivas também podem participar do GS?
Lucia Tahara Le Menn: Não, somente sites com um portifólio próprio podem participar. Temos uma política editorial nesse sentido.

TI Inside: Alguns analistas falam que o GS entra em uma seara na qual existem outros players consolidados no Brasil, como o UOL Shopping, ou ainda traria elementos de comparação de preços, segmento no qual o Buscapé e outros oferecem esse serviço. Qual a sua visão do que o GS é e pode vir a ser?
Lucia Tahara Le Menn: O Google Shopping não é um serviço de comparar preços, como o Buscapé, por exemplo. Ele fornece, de uma maneira simples e rápida, uma variedade enorme de varejistas e produtos que estão na internet. Isso significa que, se o item que o usuário procura estiver na web, com certeza ele será encontrado. Não vendemos produtos. Nosso trabalho é encontrar o produto que o usuário está buscando e direcioná-lo para a loja que está vendendo o mesmo, com base em nossa avaliação do que é mais relevante para a pesquisa. Além disso, o Google Shopping não aceita pagamento para inclusão nos resultados mostrados.

TI Inside: Existe um componente, seja estratégico ou de funcionamento, montado de
forma específica para o mercado brasileiro no GS, além do Brasil ser
o único país do mundo onde o usuário pode consultar o preço parcelado dos itens?
Lucia Tahara Le Menn: A opção “pagamento parcelado” foi pensada com base na característica do consumidor brasileiro em parcelar a compras. As pessoas têm o hábito de calcular o preço da parcela e não o valor final, sendo assim, entendemos que essa seria uma opção relevante para incluir na ferramenta.

TI Inside: Como será feita a hierarquia da busca pelos produtos, quais as opções já disponíveis?
Lucia Tahara Le Menn: O ranking será baseado na pertinência/relevância
do produto e/ou do varejista, que varia
de acordo com a busca efetuada
pelo internauta.

TI Inside: É possível associar informações de geolocalização de lojas físicas, por exemplo?
Lucia Tahara Le Menn: Sim, existe a funcionalidade “Lojas próximas”. Caso o varejista online possua alguma loja física cadastradas no Google Places, o internauta poderá clicar no link das “lojas próximas” para visualizar os endereços mais próximos da sua localização.

TI Inside: Quais produtos ou categorias de produtos devem ter uma busca maior no serviço?
Lucia Tahara Le Menn: As duas categorias que costumam ter mais buscas são: eletrônicos e vestuário, mas todas as categorias de produtos vendidos online e que respeitem nossas políticas serão bem-vindas.
TI Inside: Qual pode ser o papel do GS no mercado brasileiro? Não apenas para os consumidores finais como para os parceiros de e-commerce?
Lucia Tahara Le Menn: A missão do Google é organizar a informação e torná-la acessível para todos. Enxerga­mos os produtos como uma categoria importante da informação que gostaría­mos de tornar acessível ao mundo. Gostaríamos de continuar a aumentar nossas ofertas de comércio, bem como o número de varejistas com quem tra­balhamos. No lado do produto, você não pode simplesmente mostrar aos usuários uma lista do que está lá fora. É necessário dar ferramentas que permi­tam encontrar o que os usuários preci­sam de uma maneira simples e rápida.

TI Inside: Como o GS está sendo ou será integrado às demais ferramentas do Google, como o Google+ ou a Google TV?
Lucia Tahara Le Menn: O Google+ está integrado à experiência Shopping. Para isso, basta que o internauta marque com “+1” qualquer página de produto no Google Shopping.

Outra experiência
Concorrente histórico do Google e envolto nas últimas semanas em rumores de vendas para esta ou aquela empresa, o Yahoo lançou no meio deste ano a sua experiência chamada de Yahoo Ofertas. Nela, a empresa promove uma parceria com o player de compras coletivas Peixe Urbano.
“Temos modernas tecnologias para segmentação e personalização da publicidade, o que possibilita oferecer aos usuários ofertas cada vez mais relevantes, alinhadas com uma experiência on-line diferenciada e forte conteúdo editorial. Com a combinação desses elementos e a parceria com o Peixe Urbano, conseguiremos apresentar a oferta certa para a audiência certa”, explica Leonardo Khéde, diretor de e-commerce do Yahoo. A operação conjunta começou oferecendo promoções nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre para depois chegar a outras cidades.
A parceria, como revelou Khéde, é exclusiva por parte do Yahoo. “Temos no nosso DNA a montagem de produtos e serviços em conjunto com parceiros. Acreditamos na personalização das ofertas e conseguimos fazer isso muito bem. Temos uma base de e-mail e 30 milhões de usuários no portal, e acredito que podemos atingir de 20% a 30% desse público com o Yahoo Ofertas”, projeta.
O modelo local, no entanto, não segue o que é feito lá fora. Nos Estados Unidos, por exemplo, são três os parceiros. “É um mercado novo e estamos montando nosso próprio modelo que pode ser migrado para a América Latina, por exemplo”, finaliza.

CLAUDIO FERREIRA
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