publicidade
TI INSIDE
   pesquisa avançada
 
  EDIÇÃO #58 - ANO 6 - JUNHO/2010
GESTÃO
O melhor momento do outsourcing

Com mais de 20 anos de existência, os processos de terceirização de Tecnologia da Informação sofreram poucas mudanças, passando hoje por um momento em que a ordem da vez para os fornecedores de TI é a oferta de novos modelos operacionais de negócios, usando o outsourcing como uma plataforma e não apenas como uma ferramenta. A análise foi feita por Linda Cohen, vice-presidente e chefe de pesquisa do Gartner Research, na Conferência Outsourcing América Latina 2010.

A especialista ressaltou que a nova mentalidade para este mercado é a utilização do modelo “factory”, cujas soluções já são prontas. “É fundamental aprendermos a nos beneficiar com novos modos de operar em TI”. Neste contexto, uma postura menos reativa deve ser buscada pelos fornecedores de TI, que tendem a ofertar soluções e serviços obtidos a partir de uma necessidade do mercado, sem a análise prévia dos produtos e serviços demandados. “Os provedores de TI precisam ser mais pró-ativos e menos reativos”.

Ratificando esta visão, Cassio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisa e chairman da Conferência, lembrou que os gestores de TI têm um novo desafio. “Os provedores de TI devem ser os condutores entre demanda e mercado”, afirmou. Segundo ele, esta postura é interessante não apenas por uma questão de inovação, mas porque é um fator estratégico. “Deve ser garantido o equilíbrio dinâmico entre o que o mercado deseja e a oferta, o que faz sentido para os negócios”.

Linda também alertou para a necessidade de mudar a estrutura dos acordos de oferta de serviços e soluções de TI, os quais são “muito longos e nada maleáveis”. Além disso, garantir cada vez mais a qualidade e o preço deve ser uma busca incessante dos fornecedores que, para isso, devem controlar de maneira mais efetiva a entrega dos serviços.

O novo outsourcing

“O CIO que usar serviços de outsourcing precisa rapidamente se alinhar com tendências do setor. Aqueles que não decidirem agora vão ficar ultrapassados”, reafirmou Dreyfuss. O executivo salientou que 2010 e 2011 deverão ser os anos mais importantes nas carreiras dos gestores. “É hora de optar pelo uso do serviço para apoiar os negócios de suas empresas”.

Para Linda, além de ser o momento dos CIOs tomarem a decisão de adotar o outsourcing, eles também precisam mudar a maneira como isso é feito. “O outsourcing existe há 20 anos. Não é novidade, mas precisamos adotá-lo de modo muito mais estratégico e não mais reativamente, para solucionar problemas pontuais”.

Além disso, as decisões e contratações precisam ser mais rápidas. A especialista alertou que a forma como os objetivos de terceirização são estabelecidos também devem ser modificados. Para ela, os provedores estão prontos para isso, com mudanças e padronizações em suas ofertas, além de redução nos preços cobrados.

“Não dá mais para fazer uma solicitação de um serviço e esperar seis meses para elaborar um contrato de mil páginas, com 50 cláusulas e 20 anexos, por exemplo. Atualmente, para você tomar a decisão de contrato, basta clicar no botão ‘Eu aceito’. Definitivamente, as decisões precisam ser mais rápidas”, afirmou a vice-presidente.

Para Dreyfuss, nesse novo contexto, o papel do CIO é ser a peça de conexão entre o usuário da tecnologia e o fornecedor de TI. “Não adianta achar que esses serviços funcionam sozinhos. É essencial fazer a gestão desses serviços, garantindo o equilíbrio contínuo entre os dois lados, usuário e fornecedor”, disse.

TI em números

Em 2009, em meio à recessão econômica mundial, as empresas latinoamericanas obtiveram crescimento de 2,1% em seus orçamentos de TI, enquanto companhias de outras regiões tiveram um aumento de aproximadamente 0,16%. Para este ano, a previsão da consultoria é de que o crescimento da área de TI nas companhias da América Latina e demais localidades do mundo seja de 6,6% e 1,3%, respectivamente.

No Brasil, especificamente, os investimentos crescerão a uma média anual de 6,9% até 2013. Em 2008, foram gastos US$ 15,8 bilhões em TI, e a projeção é que sejam injetados US$ 16,5 bilhões em 2010 e US$ 22,1 bilhões em 2013. “A convergência da oportunidade de novos serviços terceirizados com a economia em crescimento superior ao restante do mundo faz deste um momento especial para os CIOs”, afirmou Dreyfuss.

Para ele, o setor vive um momento positivo no País, com boa aceitação entre os executivos responsáveis por TI nas companhias. “Os CIOs brasileiros adotam mais o outsourcing e têm aceitação maior ao risco”. Ele salientou que a redução de custos ainda é prioridade para a adoção. “O gestor precisa alavancar fortemente o serviço de TI, o que deve ser a base para os negócios, um instrumento competitivo”.

O executivo ainda afirmou que o CIO brasileiro está disposto a aumentar os gastos com ESPs (provedores externos de serviços), que devem crescer a uma taxa anual de 11%. Além disso, estes profissionais priorizam o apoio à área de negócios em relação à adoção de cortes nos gastos.

Investimento estrangeiro

Paralelamente ao evento do Gartner, aconteceu o Brasscom Global IT Forum, que contou com a participação de representantes de empresas como Bank of America, GE, Johnson & Johnson, Sociéte Générale e outros 40 grupos internacionais, além da presença de executivos, formadores de opinião e analistas de mercado.

O evento teve como objetivo fomentar a geração de negócios e consolidar o Brasil com um estratégico provedor global de software e serviços de TI. Segundo Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), a previsão era de atrair investimentos de US$ 100 milhões para o País, resultando na criação de cerca de dois mil empregos.

Desde que se discute a exportação de software e serviços de TI, as limitações brasileiras e a falta de competitividade do País são sempre apontadas como entraves para o aumento da participação no mercado mundial. Mas, de acordo com Gil, a ideia está ultrapassada, o Brasil é competitivo e está pronto para aumentar sua participação no mercado mundial de offshore de tecnologia da informação.

Para ele, o País tem grande potencial e condições favoráveis de aumentar sua participação no mercado mundial de TI, que atualmente movimenta mais de US$ 100 bilhões. “Temos qualidade tecnológica reconhecida internacionalmente, cultura múltipla que facilita a relação com clientes do exterior, um sistema financeiro, político e econômico estável, além de uma posição geográfica privilegiada”, disse.

O fórum fez parte do projeto de promoção de exportações e investimentos em TI que a Brasscom realiza em conjunto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e de Ciência e Tecnologia. Teve apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de empresas do setor tecnológico.

No desenvolvimento do mercado brasileiro, a Brasscom destacou o papel das multinacionais estrangeiras como importantes para a cadeia da indústria de TI no Brasil. As quatro principais exportadoras, de acordo com os últimos dados consolidados da entidade são IBM, Accenture, EDS e BT. “São companhias que prestam serviços para suas matrizes, mas também para outras empresas estrangeiras. E o crescimento delas movimenta todo o setor, pois depende da prestação de serviços de outras companhias nacionais”, avaliou o presidente da IBM América Latina e do Conselho Deliberativo da Brasscom, Rogério Oliveira.

De acordo com o presidente da Brasscom, a maior parcela dos participantes que a entidade conseguiu atrair para seu fórum é da área financeira, setor que também deve colaborar para o crescimento dos números de exportação. “O Brasil tem a melhor tecnologia para esse setor e temos o papel de mostrar isso para clientes internacionais”.

Gil também destacou os desafios: “para ganhar ainda mais competitividade, é necessário focar melhor a formação de mão de obra de acordo com demandas regionais, criar meios para aprimorar a formação no idioma inglês e, principalmente, conquistar no governo a redução do custo da mão de obra”. Segundo ele, a meta é deslocar a tributação trabalhista do número de funcionários para o faturamento da companhia, assim, elimina-se um descompasso entre a indústria de TI e outras indústrias, que faturam mais com menos mão de obra.
Fausto Frenandes
|   Imprimir   |   Enviar por e-mail   |  (0) Comentar  
Conheça as publicações da Converge Comunicações
TELA VIVA NewsPAY-TV NewsTI INSIDE OnlineRevista TELA VIVATELETIMERevista TI INSIDE
Converge Comunicaes

© Copyright Converge Comunicações. Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial dos textos, imagens e arquivos deste site por qualquer meio ou forma depende de autorização por escrito da editora. TI INSIDE é uma propriedade da Converge Comunicações.

publicidade