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  EDIÇÃO #58 - ANO 6 - JUNHO/2010
GESTÃO
Prescrição: use TI na saúde!

Hospitais, clínicas, laboratórios, seguradoras e operadoras de assistência médica estão impelidos a investir em projetos de TIC. Por um lado, a busca por maior eficiência é latente, mas, claro, a entrada do padrão TISS (Troca de Informações de Saúde Suplementar), exigido pela ANS (Agência Nacional de Saúde), assim como o conjunto de regras estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) no que diz respeito à informatização na saúde são motores importantes no processo. E ainda existe um projeto de lei que institui o prontuário federal único, que se encontra em trâmite no Senado Federal.

Para entender melhor, o TISS (Troca de Informações de Saúde Suplementar), estabelecido pela RN nº 114/2005, define documentos – como guias e demonstrativos de pagamento e transações eletrônicas – padronizados que devem ser trocados entre as operadoras de planos de saúde e seus prestadores de serviço. Já as regras estabelecidas pela ABNT (veja mais no Box: Normatização de TI na saúde) são fruto do trabalho realizado pela Comissão de Estudo Especial de Informática em Saúde da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/CEE-78) e resultantes de reuniões do comitê ISO/TC 215, que engloba diversos países e se reúne duas vezes ao ano.

A participação da delegação brasileira, que ocorre desde 2007, tem apoio do Ministério da Saúde, por meio da Rede Interagencial de Informações de Interesse para a Saúde (RIPSA). Nessas reuniões, os grupos de trabalho discutem projetos de normas técnicas, sugerem e aprovam novos itens. “Toda essa movimentação de normas e regulamentações tem empurrado o mercado para investir em gestão e TI. Quem já tinha essa visão previamente continua avançando e agora os médios e pequenos hospitais começam a entrar com mais vigor”, garante Fernando Vogt, diretor de saúde da InterSystems, empresa com grande foco no setor e que trabalha em um projeto de grande extensão no Distrito Federal.

Via sem volta

Vogt vê ainda um movimento na consolidação da gestão clínica pelo caminho da prevenção, como reflexo da melhoria dos processos e da informatização. “Ou se entende de uma vez que saúde é prevenção ou todos, de hospitais a planos de saúde vão sofrer muito, assim como os pacientes. A população brasileira está envelhecendo, os custos e os problemas se aceleram e a saída é investir na prevenção. O Governo e seu programa de saúde complementar têm olhado muito para o tema”, conclui.

O resultado para os fornecedores de tecnologia é que o mercado se tornou extremamente atraente e ainda existe muita coisa a se fazer. A própria evolução da economia, da estabilidade até os sobressaltos e a tranqüilidade posterior à crise econômica de 2009 mostram que gestão e informatização são obrigatórios (veja mais em: Um pouco de muita gestão), principalmente se associada

a normas e exigências que impõem novos padrões.

“Todos os setores que tratam da saúde, das entidades privadas às públicas, tem investido muito. Trabalho no setor há 12 anos, 10 deles com a minha empresa, e nos últimos dois anos vejo uma movimentação acelerada”, garante Euclides de Moraes Barros, presidente da Epeople, que é focada em sistemas de telemedicina. Na sua avaliação, uma especialidade, dentre as muitas do conjunto de saúde, como radiologia digital, tem apenas 10% de todo o mercado explorado.

Totalmente focada

A Epeople possui projetos de soluções e serviços voltados para a saúde, e algo como 96% de seu faturamento decorre do setor. “Existe uma demanda por projetos de prontuário eletrônico e em telecardiologia e teleradiologia com serviços de prestação médica de especialistas à distância”, resume Barros.

Em parceria com a Unifesp, a Epeople desenvolveu um sistema de telecardiologia para atender às AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) e as ambulâncias da SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) da prefeitura de São Paulo – algo semelhante ao que é feito pelo HCor. Com a solução instalada nas unidades móveis se torna possível realizar exames e laudos específicos e vitais, como eletrocardiograma a distância, via web e em tempo real por especialistas em cardiologia da Unifesp. Ao todo são atendidas 58 AMAs e 120 ambulâncias.

A central da Unifesp que recebe as chamadas dos SAMUs e AMAs funciona 24 horas por dia. E, em média, são realizados e diagnosticados 350 exames diários com um tempo médio de resposta de 4 minutos e 11 segundos. Apenas no mês de maio último foram realizados 6.650 exames.

Já em teleradiologia ou radiologia digital, a empresa desenvolveu um sistema de gestão específico que faz o arquivamento de imagens, distribui e facilita a montagem de laudos por meio de uma estação de trabalho. “Tudo é digital, o que reduz os gastos com uso de película e o laudo pode ser feito a distância, assim com é feito com o sistema de telecardiologia. Temos laudos produzidos em cinco minutos”, explica Barros.

Início na saúde

Há 32 anos, a InterSystems foi criada nos Estados Unidos e seu começo foi marcado pelo desenvolvimento de um sistema hospitalar específico. Hoje presente em 22 países, algo como 75% de seu faturamento é decorrente do setor de saúde, com sistemas como o TechCare e o HealthShare, respectivamente, de gestão do setor e de prontuários eletrônicos inteligentes. “Nosso conceito é saúde em rede e dados disponíveis na web para todos”, conclui Vogt.

Países como a Escócia e o Chile, ambos com 70% das suas instalações, adotaram as soluções da empresa para controle do setor de saúde. E, no Brasil, o projeto de maior presença é o do Governo do Distrito Federal. “Mas também temos projetos em redes hospitalares importantes como a do Albert Einstein, com oito centros de atendimento”, aponta Vogt.

O executivo enfatiza o HealthShare. “Ele atua como se fosse um grande Google de saúde com todos os dados do paciente e pode ser visualizado em todos os níveis da rede, nos hospitais, laboratórios e até nas farmácias associadas”, explica. Já com o TechCare, ele compara, é possível abranger as necessidades de gestão do setor que os ERPs tradicionais não conseguem, dada a sua complexidade.

Como uma amostra disto, Vogt argumenta que em uma AME (Assistência Médica de Especialidades) da prefeitura de São Paulo existem 21 especialidades. “Isso mostra que as ferramentas precisam atender aos pacientes e aos médicos, a implementação das soluções é totalmente diferente de qualquer outro ambiente de TI, precisamos fazer tudo one-to-one com os profissionais”, garante o executivo da InterSystems.

De BH para o Brasil

Ainda em ERP especializado, a mineira AeC, empresa de Business Process Outsourcing (BPO) que oferece soluções e serviços integrados de contact center, consultoria e software, com 12 mil funcionários, presença nacional e faturamento previsto de R$ 300 milhões em 2010, desenvolveu o Hospitale. A solução de gestão hospitalar faz todo o acompanhamento da vida do paciente, do agendamento da consulta ou cirurgia até o faturamento das contas geradas por ele. Seu foco são clínicas e hospitais privados ou públicos médios (150 a 500 leitos) e pequenos (até 150 leitos).

O sistema é oferecido ao mercado no modelo tradicional, de licenciamento de software, e também em software como serviço (SaaS). Desenvolvida em plataforma Microsoft web based, o Hospitale facilita a customização na casa

do cliente.

Focado nas atividades principais dos hospitais e clínicas – como controle de pacientes, leitos, centro cirúrgico, laboratórios, centro de diagnóstico, farmácia e convênio, entre outros –, o Hospitale também abrange a gestão administrativa e financeira das instituições, além de poder ser integrado aos principais ERPs do mercado. Seu primeiro usuário é o Hospital Madre Teresa, uma das principais instituições de saúde de Minas Gerais, que participou ativamente dos testes e melhorias do produto ao longo dos últimos dois anos.

O gerente de TI do Hospital Madre Teresa, Frederico Siuves, explica como surgiu a detecção da necessidade que levou até o Hospitale. “A solução que utilizávamos estava defasada, pois estava em produção desde 2000, e vimos que teríamos problemas de performance. Buscamos uma solução no mercado não apenas para nós como para todos os demais sete hospitais da rede IPMMI (Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada)”, resume.

Solução alinhada

O processo, iniciado no começo de 2008, levou seis meses para definir a solução. No entanto, o reconhecimento da AeC data de 2007. “Ainda não existia uma necessidade tão latente, mas o contato gerou o desenvolvimento conjunto de uma solução específica para substituir o sistema de custos, foi quando começamos o relacionamento”, relembra Siuves. Ao todo, foram cinco as soluções avaliadas, e o que determinou a escolha do Hospitale foi a disponibilidade das informações na web, os processos bem definidos e, claro, o relacionamento prévio que trouxe confiança no parceiro.

A implementação se iniciou no final de 2008 e, por uma decisão interna, teve uma parada de alguns meses até a retomada no segundo semestre de 2009. “Eles nos assessoraram nos ajustes do sistema à nossa realidade. Finalizamos tudo em maio deste ano e posso dizer que ele cobre 100% de nossas necessidades de gestão”, garante

o gerente de TI. O mais complexo

na implementação, admite Siuves,

foi a mudança cultural das pessoas na troca do sistema antigo

pelo Hospitale.

Entre os ganhos percebidos, o gestor destaca a montagem de algo parecido com uma linha de produção. “Os processos estão bem definidos e temos uma riqueza de indicadores, mas a agilidade no atendimento e no fluxo dos pacientes tem sido excelente. Temos um total controle dos gastos, com uso de código de barras, que se refletiu na compra dos materiais, já reduzimos em 20% em alguns casos. E com o passar do tempo acreditamos em ganhos maiores, tanto monetários como de eficiência”, conclui.

Levando em consideração o final da implementação em maio último, o gerente calcula o ROI em, no máximo, 12 meses. “Nossa meta agora é chegar ao hospital sem papel, com autenticação e prontuário eletrônico e com uso de biometria”, aponta. Outra etapa importante é a implementação do Hospitale nos demais hospitais da rede IPMMI. “Nossa equipe ajudará a toda a rede, o que deve demandar dois anos de trabalho”, projeta.

Lá em Brasília

A InterSystems acaba de concluir a montagem de 1/3 de toda a rede de saúde do GDF (Governo do Distrito Federal), também chamado de SIS (Sistema Integrado de Saúde) com apoio de suas soluções de gestão. O objetivo final é a informatização de toda a rede de saúde local – hospitais, centros de saúde, programa de saúde da família e vigilância epidemiológica – promovendo a gestão clínica dos pacientes em todos os locais e do faturamento da SIS/DF. No total, quando concluído, serão atendidos dois milhões de habitantes.

Entre os objetivos está o de que cada cidadão do GDF tenha seus prontuários médicos eletrônicos. Atualmente, 1,760 milhão de pacientes tem informações desse tipo, o que possibilita a gestão clínica destes pacientes através da visualização das informações em toda rede do Distrito Federal pela web. No final de março último, foi concluído o processo em cinco regionais (Gama, Samambaia, Guará, HRAN e Braslândia), o que representa 1/3 de informatização de toda a rede que deverá estar concluída até novembro deste ano.

Entre os resultados está a gestão via SIS de um total de 6.395 usuários distintos que acessaram o sistema nos últimos seis meses, composto por médicos, enfermeiras, atendentes, gestores, administradores e pessoal administrativo entre outros; Ou, ainda, a publicação dos exames laboratoriais no portal de exame do GDF, que permite à população retirar os exames via web sem a necessidade de voltar ao local do exame, diminuindo filas e economizando custos. São retirados diariamente, via Internet, milhares de exames, com a média de acessos de 8.240 por dia (números de fevereiro de 2010) com o pico de 11.729 em um dia.

Resultados e abrangência

Outro avanço é a informatização dos laboratórios. Atualmente são nove grandes laboratórios informatizados, incluído o LACEN – Laboratório Central. Juntos eles realizam cerca de 5,4 milhões de exames por ano, que agora serão publicados diretamente através do sistema no Portal de Exames e no prontuário eletrônico do paciente, reduzindo drasticamente os custos com papel e a necessidade do paciente voltar para pegar o exame.

Foi iniciada ainda a distribuição do novo cartão saúde do cidadão, com 328.544 cartões disponibilizados nas regionais do Gama, Guará e Samambaia, e o início da distribuição em Braslândia e no HRAN. Atualmente, estão informatizadas a farmácia central, três farmácias especializadas, 15 centros de saúde, 91 pontos de estocagem e 14 farmácias de hospitais regionais, além do almoxarifado central, o que elimina o desperdício com a perda de medicamentos e a utilização de medicamentos vencidos, além de melhorar a logística de distribuição.

Nos hospitais, a regulação dos leitos da UTI já é totalmente feita via Internet, o que possibilita aumento na disponibilidade de leitos, redução do tempo de internação e transparência total, permitindo o acompanhamento em tempo real, na web, por todos os órgãos oficiais de controle. Atualmente, a central de leitos de UTI regula 245 leitos em 22 hospitais, incluindo os conveniados e particulares.

Atendimento remoto

Projeto ligado ao SUS (Sistema Único de Saúde), o Sistema Tele-Eletrocardiografia Digital tem um investimento de R$ 6,9 milhões em três anos, aplicados na compra de aparelhos, treinamento de equipes do SAMU e manutenção de equipamentos. Com ele, os usuários da rede têm à disposição a tecnologia que permite obter diagnósticos remotos, antes mesmo do deslocamento para o hospital – o que pode reduzir em até 20% o número de mortes por doenças do coração.

Cada ambulância do SAMU será equipada com um pequeno aparelho (teleeletrocardiógrafo digital portátil) capaz de transmitir o eletrocardiograma via telefonia celular ou fixa. E o exame, realizado no paciente em sua residência ou na ambulância, é transmitido pela Internet e analisado na central de Telemedicina do Hospital do Coração (HCor). O laudo retorna à base de origem e todo o trâmite dura, em média, cinco minutos (veja mais detalhes no Box: Funcionamento do teleeletrocardiograma digital).

A central dispõe de 16 médicos para a leitura dos eletrocardiogramas do SAMU 24h por dia. Além disso, o médico de origem pode discutir os casos com os especialistas de apoio no HCor. O trabalho é realizado em tempo real.

O projeto-piloto do Ministério da Saúde é uma parceria com o HCor, que detém a tecnologia digital, e faz parte da iniciativa Hospitais de Excelência a serviço do SUS, lançado pelo governo federal ainda em 2008 e referendado pelas autoridades. “Quanto mais rápido uma pessoa que sofre infarto for atendida, maior a chance de ela sobreviver sem complicações graves. Essa tecnologia de ponta disponível no SUS permitirá que a população mais carente tenha maior acesso a cardiologistas de referência do país”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Os benefícios diretos dessa tecnologia são a redução do tempo de atendimento, a análise mais apurada do quadro do paciente e a realização de uma triagem ainda na casa da pessoa ou na ambulância, para encaminhamento mais ágil ao chegar a um hospital. Estudo publicado na revista Circulation estima que metade das mortes por infarto ocorre nas primeiras duas horas e que, a cada 30 minutos perdidos no atendimento, o risco de mortalidade aumenta em 7%.

Na prática

“A tecnologia vai qualificar a assistência prestada pelas SAMUs e ajudar a salvar vidas. É com muita satisfação que o HCor disponibiliza sua tecnologia de ponta e a reconhecida capacitação dos seus profissionais para auxiliar no programa de atenção às urgência e emergências do SUS”, afirmou o Dr. Luiz Henrique de Almeida Mota, superintendente médico e de relações institucionais do HCor.

Na primeira fase do projeto do Ministério da Saúde e do HCor, foram adquiridos 450 kits com eletrocardiógrafos e telefones celulares. Cada kit serve uma ambulância e é destinado prioritariamente as unidades de suporte avançado. No momento, o serviço está em 37 cidades de 10 estados brasileiros. E, por enquanto, 86 kits já estão em funcionamento ou em fase de instalação. A meta é expandir o projeto para todas as 147 centrais de regulação do SAMU, que abrangem 1.276 municípios e alcançam cerca de 106 milhões de pessoas em todo o Brasil, iniciando pelas capitais dos estados.

O diagnóstico digital permite a segunda opinião de um especialista em cardiologia e, como conseqüência, maior segurança e precisão no diagnóstico e tratamento. Pesquisas internacionais mostram que a interpretação de

um eletrocardiograma realizado por um cardiologista (em vez de um médico generalista) reduz de 9% para 5% o número de infartos

não-diagnosticados.

Além de agilizar o atendimento, o serviço vai melhorar a gestão do atendimento na rede hospitalar do SUS. Muitos pacientes que apresentam dor no peito não têm necessariamente doença cardiovascular ou não precisam ser internados. Nos Estados Unidos, a ausência de triagem correta é responsável por cerca de

US$ 5 a 8 bilhões de gastos desnecessários por ano.



Normatização de TI na saúde

O trabalho da Comissão de Estudo Especial já resultou na adoção e publicação de três documentos, disponibilizados ao público por meio do sistema ABNT Catálogo (www.abnt.org.br/catalogo). São eles:

ABNT ISO/TR 17119:2008 – Informática em saúde – Framework para estabelecimento de perfis em informática em saúde. Trata-se de um Relatório Técnico que provê um framework comum para descrição geral de artefatos de padrão em informática em saúde. O objetivo do framework é o estabelecimento de perfis em informática em saúde (FPIS) e fornecer um método consistente para descrever e classificar artefatos no domínio dos padrões em informática em saúde.

ABNT ISO/TR 20514:2008 – Informática em saúde – Registro eletrônico de saúde – Definição, escopo e contexto. Este outro Relatório Técnico foi preparado para estabelecer um conjunto de categorias e definições para registro eletrônico em saúde (RES), a fim de descrever o escopo de aplicação da família de padrões de RES atualmente programada para desenvolvimento pela ISO.

ABNT ISO/TS 18308:2008 – Informática em saúde – Fala dos requisitos para uma arquitetura do registro eletrônico de saúde. O objetivo desta especificação técnica é coletar e organizar um conjunto de requisitos clínicos e técnicos para uma arquitetura do registro eletrônico de saúde (ARES) que apóie a utilização, o compartilhamento e o intercâmbio de registros eletrônicos em saúde entre diferentes setores da saúde, diferentes países e diferentes modelos de prestação de assistência à saúde.



Um pouco de muita gestão

Alguns projetos de TI atacam diretamente a gestão das empresas ligadas à saúde. Já está em operação na Unimed Rio o sistema ZoomX, voltado para a prevenção, combate e avaliação de riscos do mercado segurador. Desenvolvido a partir de uma aliança entre a Provider IT, empresa que desenvolve soluções personalizadas, a NeuroTech e a DM Consultoria, a plataforma permite a identificação de comportamentos, tendências e práticas suspeitas durante todo o ciclo de vida de um seguro – aceitação, administração da apólice e sinistro.

O ZoomX se baseia na utilização de técnicas de redes neurais e é estruturado em quatro camadas sendo a principal, o Núcleo de Inteligência, composta por três módulos: um motor de regras que registra o conhecimento dos especialistas do negócio, um gateway para acesso a informações de fontes de dados externas (por exemplo, Serasa) e um motor de inteligência artificial – que seria o grande diferencial do produto.

Evandro Abreu, diretor da Provider IT, explica que a forma tradicional de se determinar o preço de um seguro e evitar fraudes é a avaliação de informações acerca do bem a ser segurado. Dados que se analisados histórica e estatisticamente indicam os riscos relativos a um seguro. “Estima-se que quando esse trabalho é feito por um analista, é possível a análise de 7 a 8 variáveis para tirar conclusões e tomar decisões. É um importante papel na identificação de irregularidades, mas com capacidade limitada de avaliação”, afirma o diretor.

Outro ambiente

Com a utilização do ZoomX o número de variáveis passa para 200 ou 300. “Trata-se de uma capacidade de cruzamento de dados muito superior, o que possibilita uma análise mais apurada com conclusões mais fidedignas ao perfil da operação que está sendo processada”, afirma.

André Pamplona, gerente de sistemas da Unimed Rio, admite que a utilização do ZoomX resultou em ganhos para a empresa. “A solução apresenta um excelente custo-benefício, é flexível, e teve uma boa capacidade de adaptação ao nosso negócio”. E completa: “a plataforma atendeu tanto às nossas expectativas que pretendemos aprofundar a utilização dos recursos da ferramenta”. Para o início da operação com o ZoomX é necessário o histórico de dados da empresa e os filtros criados pelos analistas a partir de sua expertise. Os dois elementos compõem a base de conhecimento da plataforma. Após essa fase, as análises são processadas, consumindo serviços do motor de regras, do motor de inteligência artificial e do acesso às fontes de dados externas. Os resultados serão os níveis de alerta (aprovado, suspeito, reprovado), a pontuação de risco (score), as regras que justificam o alerta e o score, além de outras 16 saídas que constituem e resposta da solução.
CLAUDIO FERREIRA
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