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Brasil fica na 41ª posição mundial em �aptidão� digital
segunda-feira, 22 de maio de 2006, 16h14



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O mundo em 2006 vem demonstrando cada vez mais aptidão digital: há mais de 1 bilhão de usuários de internet e 2 bilhões de usuários de telefones móveis em todo o mundo, e a maioria dos países continua seu progresso contínuo em diversos indicadores qualitativos de desenvolvimento relacionado com a tecnologia. Essa é a constatação da sétima edição do ranking anual de e-Readiness, publicado pela IBM em conjunto com a revista The Economist.



Segundo o levantamento, quase todos os países incluídos no ranking melhoraram sua pontuação em relação ao ano anterior. Além disso, tanto em termos relativos como absolutos, nota-se uma melhoria maior nas camadas mais baixas da lista do que nos mais bem posicionados no ranking. Como resultado, diminuiu a distância que separa os melhores do restante. �A lacuna digital deixou de ser vista como o grande abismo que muitos receavam,� comenta Daniel Franklin, diretor editorial de The Economist Intelligence Unit (EIU).



De acordo com ele, existe outro gap que também está se reduzindo, neste caso, entre os melhores países em termos de desenvolvimento de banda larga. Os líderes do norte da Ásia tinham tirado vantagem de outros países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) com uma rápida aceleração da adoção da banda larga. Durante os dois últimos anos, porém, os índices de crescimento de banda larga em países como a Coréia do Sul e o Japão têm se estabilizado, enquanto outros líderes em e-readiness, tais como a Noruega e a Suíça, têm recuperado terreno.



A conectividade de banda larga está virando um diferencial menos importante entre os líderes de e-readiness, enquanto outros critérios (como a inovação, a segurança da informação e o compromisso do governo com o desenvolvimento digital) surgiram como diferenciais mais importantes, observa Franklin.



Desde o ano 2000, a Unidade de Inteligência do Economist publica o ranking anual de e-readiness que contempla as maiores economias do mundo. O nível de �e-readiness� de um país é uma medição de seu ambiente de e-business, composto por uma série de fatores que indicam a predisposição de um mercado às oportunidades com base nas novas tecnologias. Tal como sugerem os resultados deste ano, as regras do jogo estão começando a mudar em termos de e-readiness. �O avanço econômico depende cada vez mais das inovações no uso de tecnologia�, assinala George Pohle, líder global do IBM Institute for Business Value. �Em economias que atingem uma adoção generalizada de internet e de tecnologias de comunicações, a competitividade futura está impulsionada pela criação de novos serviços que exploram a infra-estrutura.�



Na América Latina, a utilização da internet por parte de consumidores e empresas, incluindo as compras on-line, continua muito baixa. Um fator-chave tem sido o lento crescimento no acesso: a penetração da internet está abaixo de 15% na região, segundo a Pyramid Research, em comparação com 65% na América do Norte. Nesse contexto, o Chile (31º) é uma exceção, pois a conexão por banda larga e a utilização dos telefones móveis (5% e 75% respectivamente) colocam o país em uma posição vantajosa em relação ao restante da região. Além disso, o Chile deve sua liderança em e-Readiness a um ambiente de negócios relativamente estável.



Em outros países da região, a adoção da banda larga experimentou apenas um leve crescimento em 2005 e há poucos esforços públicos e privados em andamento para que a utilização da internet seja mais acessível. Os governos da América Latina estão mais proativos na promoção da importância da tecnologia da informação e no investimento em programas de infra-estrutura. Porém, diferentemente das melhores práticas mundiais, estas iniciativas na América Latina não possuem nem o tamanho nem a escala dos esforços similares observados na Ásia, e nem o nível de coordenação e cooperação transnacional vistos ao longo da Europa.



Entre outras conclusões importantes dos rankings deste ano é que software livre está ganhando um enorme apoio de parte dos países em desenvolvimento, e os governos da América Latina fornecem muitos exemplos com relação a esse tema. O governo do Brasil (que ocupa a 41ª posição) anunciou planos de promover o software livre para uso no setor público, nas instituições educativas e nas residências em todo o país. O governo afirma que a economia poderia ser de até US$ 120 milhões ao ano se for realizada a migração de Windows a software livre. Iniciativas similares foram observadas no Peru (49ª posição, que no ano passado lançou um projeto de lei que obriga os órgãos do governo a usar software livre, e na Venezuela (48ª posição), onde toda a administração pública deverá migrar a software livre até o fim do ano.



A Europa se mantém na posição dominante. A maioria dos principais países do ranking galgou posições ao mesmo tempo, com pouco movimento de 2005 a 2006. Os países da Europa Ocidental ocupam seis dos primeiros dez postos na lista deste ano, dentre os quais três são países nórdicos. A Dinamarca (em primeiro lugar), a Suécia (4º) e a Finlândia (7º) se mantêm em destaque em áreas-chave de conetividade, tais como a penetração dos telefones móveis e o uso da internet. Entre os que mais subiram posições no ranking em 2006 ficam a Austrália (8º), o Canadá (9º) (que pela primeira vez aparece entre os primeiros dez mundialmente) a Lituânia (38º) e, perto do final da lista, a Argélia (63º).



O estudo mostra que até países com grandes déficits de infra-estrutura e debilidades no ambiente de negócios � tais como a Bulgária (44º), a Índia (53º) e o Vietnã (66º) � estão melhorando sua aptidão digital de outras maneiras, por exemplo, através do desenvolvimento de capacidades de outsourcing de tecnologia. Do mesmo modo, nestes e em outros países em desenvolvimento, a utilização cada vez maior de software livre está expandindo o acesso de parte das empresas e do setor público à tecnologia da informação.



As empresas em muitos países estão experimentando novos modelos e processos de negócios, como demonstra a ameaça que os novos fornecedores de voz sobre IP representam para as companhias de telecomunicações. Estas, por sua vez, também estão apresentando um desafio às empresas de TV a cabo e emissoras de canais abertos de televisão com o lançamento de televisão IP (IPTV). A inovação continua também no setor público: os exemplos mais dignos de destaque se encontram na Europa, onde as iniciativas públicas e privadas estão tornando os serviços de e-government mais acessíveis.
Da Redação
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